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Este espaço davela.net é dedicado à vela oceânica em geral e à vela oceânica com barcos portugueses em particular. Se se interessa por esta área e tem informações ou sugestões para o melhorar, temos todo o interesse na sua contribuição. Para tal, basta contactar-nos pelo e-mail velaoceanica@davela.net

Vela Oceânica em 2006

ARC Europe 2006

As mil milhas





Vela Oceânica em 2005

O ano de 2005 ficou marcado por, pelo menos, seis cruzeiros oceânicos com barcos portugueses.


ARC Europe 2005

Antes do Verão, o Jeanneau Sun Fast 39 "Mala Moja", de João Moreira Rato, depois de ter participado no ARC 2004 e após uns meses de cruzeiro pelas Caraíbas, fez de novo a travessia do Atlântico, desta vez integrado no ARC Europe 2005 (Atlantic Rally to Europe). A perna Antigua - Bermuda, superior a 900 milhas náuticas, começou a 5 de Maio e durou aproximadamente uma semana. Além do skipper, a tripulação incluia Miguel Bénis e Diógenes. Na Bermuda, Ruy Ribeiro "rendeu" Diógenes e largaram com destino à Horta, nos Açores, no dia 18 de Maio. O percurso de mais de 1800 milhas náuticas foi cumprido em 15 dias, sendo de destacar o mau tempo (ventos fortes do quadrante ENE, mar grosso a alteroso, chuva...) que obrigou a pôr a vela grande no terceiro rizo e a usar um pequeno "trapo" de genoa. Foram três dias seguidos em que apenas conseguiram progredir 40 milhas...
O ARC e o ARC Europe são organizados todos os anos pelo World Cruising Club para juntar e facilitar a tarefa dos velejadores que pretendem atravessar o Atlântico para as Caraíbas (Santa Lúcia) em Novembro/Dezembro, promovendo depois o regresso em Maio/Junho, antes do início da época dos furacões.


Cruzeiro ANC 2005 - Paralelo 33

No Verão tiveram lugar, pelo menos, quatro cruzeiros oceânicos com barcos portugueses. Aquele que teve o maior no número de barcos envolvido foi, indiscutivelmente, o Cruzeiro ANC 2005, o qual levou 18 embarcações dos mais variados tamanhos e feitos à Região Autónoma da Madeira e a Marrocos. Com uma duração de três semanas e mais de 1200 milhas de percurso, o cruzeiro partiu de vários portos do continente no final de Julho e chegou a Porto Santo passados quatro/cinco dias. Tomando como base nesta região a Marina de Vila Baleira, a frota fez uma visita à ilha da Madeira e uma outra às Desertas, tendo voltado para Porto Santo no início de Agosto. Daqui seguiu para Mohammedia, um porto industrial 30 milhas a norte de Casablanca, e, após três dias por estas paragens, rumou a Portimão. Com excepção do segundo dia da perna Continente-Porto Santo – em que a frota foi apanhada por uma depressão que gerou ondas de três a quatro metros e ventos de sudoeste de 30 a 40 nós – e de um dos dias da perna Porto Santo-Mohammedia – quando foi necessário atravessar um “cardume” de toros de madeira provenientes de um cargueiro que se tinha afundado duas semanas antes ao largo de Sagres – o cruzeiro decorreu sem problemas de maior e, segundo a maioria dos participantes, foi um sucesso em todas as vertentes.

De Lisboa às Canárias

Parcialmente ligado a este cruzeiro, teve lugar um outro, protagonizado pelo Seamount de João Bispo, que partiu de Lisboa com a frota ANC mas que, ainda antes da chegada a Porto Santo, seguiu directo para as Canárias, para as ilhas de La Palma, El Hierro e de Tenerife. Com um total de 2500 milhas percorridas, este cruzeiro teve como único percalço de maior, o mesmo segundo dia de ondulação forte e ventos de sudoeste que a frota ANC apanhou pouco depois de passar o Banco Gorringe.

Atlantis Cup

Também no decurso das férias de Verão, o “Nicea/Alpen” de José Carlos Prista foi aos Açores, onde participou na Atlantis Cup que, pelo terceiro ano, esteve inserida no Campeonato Regional de Cruzeiros do arquipélago. O “Nicea”, embora equipado para cruzeiro e com o número de tripulantes reduzido a metade em relação ao que é habitual, venceu ambas as provas na classe ORC. Chegado o fim das férias, José Carlos Prista contratou o skipper de transportes Lionel Carvalho para trazer o barco de regresso ao continente. O “Nicea” largou da cidade da Horta, no Faial, a 15 de Agosto, com vento fraco e bom mar, o que obrigou o skipper a navegar alternadamente à vela e a motor durante os três primeiros dias de viagem. Entretanto, o regresso que parecia ser tranquilo ficaria marcado pela queda do mastro do barco a cerca de 200 milhas de Lisboa. Tudo aconteceu na manhã de 20 de Agosto, quando – conforme o previsto – o vento soprava de nordeste entre os 25 e os 30 nós e o mar se apresentava com 4-5 metros. O backstai partiu-se, o mastro caiu, o que obrigou Lionel, o único tripulante do barco nesta segunda perna, a recorrer ao equipamento com que o “Nicea” estava, felizmente, equipado para fazer face a uma eventualidade destas, nomeadamente um bom serrote. Assim, serrou os brandais, cortou as adriças e libertou as velas. Refira-se que, naquela altura, o gasóleo a bordo, se bem gerido, daria para navegar até próximo de Lisboa. O skipper informou o proprietário do barco acerca do sucedido que, por sua vez, comunicou a ocorrência às autoridades. Lionel e José Carlos foram comunicando de três em três horas, para que o skipper fosse actualizando a sua posição e, ao fim de três dias, chegou a Lisboa sem qualquer problema (adicional). O “Nicea” passou os últimos quatro meses em terra, onde foi submetido a trabalhos de reparação, e voltará à água na última semana de Dezembro de 2005.

Rumo a Cabo Verde

O “Argonauta” saiu também para o mar alto no Verão e foi até Cabo Verde, onde, segundo as informações que a davela.net dispõe, ainda permanecerá. Para já dispomos de poucas informações tanto sobre o barco como sobre a viagem mas contamos em breve poder desenvolver os mesmos.

Destino: São Tomé

A última, mas não menos interessante, viagem oceânica deste ano com barcos portugueses de que temos conhecimento é a do “Sadalsuud”, uma embarcação de madeira de construção norte-americana que já se encontrava em Portugal há vários anos e que, depois de ter sido comprada pelo nazareno Marco, rumou no passado mês de Outubro em direcção a São Tomé. De momento há também ainda poucas informações sobre este cruzeiro, mas sabe-se que Marco pretendia primeiro fazer uma escala em Mohammedia para reforçar o casco do barco e daqui dirigir-se a Cabo Verde antes de alcançar São Tomé. Se tudo correr como esperado, Marco deverá estar de volta a Portugal algures no segundo semestre de 2007.

Planos para 2006

O cruzeiro ANC aos Açores

Após o grande êxito do cruzeiro da ANC à Madeira e Marrocos em 2005, a Direcção desta entidade já marcou os Açores como destino para o cruzeiro deste ano. Com partida prevista para meados de Julho, a primeira perna do cruzeiro será rumo à ilha de Santa Maria, num percurso de 710 milhas. A frota deverá permanecer dois dias na famosa baía de S. Lourenço que, além de ter sido um dos primeiros locais onde os antigos navegadores aportaram aquando da descoberta dos Açores, é também, na opinião de muitos amantes da vela, uma das baías mais bonitas do mundo. A frota seguirá depois para a ilha de S. Miguel, onde ficará cerca de uma semana e de onde depois sairá a frota da Atlantis Cup, em direcção à Terceira. A escala seguinte será depois o Faial, onde a frota irá participar na Semana do Mar. O regresso ao continente está previsto para meados de Agosto, totalizando um percurso de cerca de 2500 milhas.

Planos para 2007

A viagem do "Lili II" à Groelândia

Quatro anos depois da sua ida à Antártida, José Inácio Júnior está a considerar realizar um cruzeiro a bordo do seu "Lili II" até à Groelândia. A sua ideia é subir o Atlântico até às latitudes da Islândia, fazer por aqui a travessia de leste para oeste, aportar à costa canadiana, e seguir daqui para a Groelândia. Para quem conhece o homem e os seus feitos, é caso para dizer que a viagem até pode vir a acontecer.

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